Trauma: feridas que não se vêem, mas podem ser curadas

Quando ouvimos a palavra trauma, muita gente imagina algo distante, quase como um conceito técnico. Mas, na verdade, o trauma é muito mais próximo e comum do que parece. Ele é, basicamente, uma resposta emocional intensa a um evento marcante, que deixa uma marca profunda na nossa mente. Pense numa ferida física: quando você se machuca, o corpo reage para se proteger. Com a psique, acontece algo parecido. O trauma é como um alerta interno, tentando evitar que você reviva aquela dor. Por isso, às vezes, as reações emocionais parecem exageradas — é o seu sistema tentando proteger você. O impacto do trauma na infância e na vida adulta O trauma na infância costuma ser mais intenso. Isso porque, quando somos crianças, nossa estrutura psíquica ainda está em formação. Não temos “filtros” ou defesas emocionais bem desenvolvidas, e tudo o que ouvimos ou vivemos pode ser absorvido de forma muito profunda. Já na vida adulta, embora o trauma ainda possa doer muito, nossa mente costuma estar mais estruturada. Isso não significa que seja fácil lidar com ele, mas que existe um pouco mais de recurso interno para enfrentar a situação. Superar não é esquecer Muita gente acredita que superar um trauma significa apagá-lo da memória. Não é assim que funciona. Superar é enfrentar o que aconteceu, elaborar aquele episódio e fazer com que ele não dite mais suas decisões, emoções e relacionamentos.E para isso, não basta “ser forte sozinho”. É fundamental ter um contingente emocional, um espaço seguro onde a dor possa ser acolhida e contida. Esse espaço pode ser encontrado na psicoterapia, na fé, na espiritualidade ou em vínculos saudáveis com pessoas que nos apoiam de verdade. No fim das contas, lidar com o trauma é como cuidar de uma ferida: se você ignorar, ela pode infeccionar. Mas se você tratar com atenção e paciência, ela cicatriza — mesmo que a cicatriz fique. 💬 Se você sente que carrega dores do passado que ainda te influenciam, não precisa enfrentar isso sozinho(a). Procure ajuda. A psicoterapia é um caminho seguro para elaborar e transformar o que aconteceu, permitindo que você viva com mais leveza e autonomia. Cuide de si, porque você merece viver sem que o passado dite o seu presente.
O que causa a depressão?

Muita gente pergunta qual a causa da depressão. Eu já te respondo: não existe uma única causa. Sim, a depressão é chamada de “doença multifatorial”. O que significa isso? Significa que a “causa” da depressão pode ter fatores genéticos, ou seja, você recebeu esta tendência nos seus genes como um fator orgânico. Neste sentido é muito importante verifiicar se existe casos de depressão na sua família, como pais, avós, tios, etc. Mas mesmo que tenha casos na sua família, você precisa de um ambiente que “dispare” este gene. Muitas pessoas podem ter uma tendência genética para a depressão e ela ficar ali, dormindo. Isto acontece porque o seu ambiente não foi hostil o sufiiciente para disparar em você esta condição. Os especialistas dizem que não basta somente ter uma prediisposição genética, é preciso que aklgum tiipo de evento estressor esteja presente para que a depressão apareça. Estamos falando então do segundo fator determinante para a depressão: o ambiente. O que significa este “ambiente”? A sua história de vida, a família que você foi criada(o), as suas experiências positivas e negativas, a sua condição socio econômica, seus relacionamentos… Simplesmente tudo o que vem de fora e te atinge nos seus pensamentos, sentimentos e comportamentos. Traumas e depressão E os traumas da infância, podem ser o motivo de sua depressão hoje? A resposta é sim! Lembremos que o trauma também é uma resposta estressora do organismo frente a um evento externo perturbador. Quanto mais cedo ele ocorre, mais alterações causam na estrutura deste circuito neuronal responsável pelas nossas emoções que, no caso da criança, ainda está em formação. Traumas como negligência afetiva, maus tratos, abuso sexual (principalmente acompanhado de violência física), morte ou separação dos pais são reconhecidamente apontados como preditores de depressão na vida adulta. Se na sua infância você se sentia inseguro por causa de um ambiente familiar ameaçador, como por exemplo um pai alcoólatra, uma mãe punitiva, ter sofrido maus tratos ou abuso sexual, sua chance de desenvolver depressão aumenta exponencialmente na adolescência e na vida adulta em comparação àqueles que não passaram por estas experiências. No entanto, é importante dizer que isto não significa que todas as pessoas que sofreram alguns destes traumas terão depressão de fato. Mesmo aquelas pessoas que passam pelos mesmos traumas e pelo mesmo ambiente estressante, como irmãos de uma mesma família, por exemplo, podem dar respostas comportamentais completamente diferentes, onde um desenvolve alguma patologia e outro não. Estresse e depressão Segundo os especialistas, o principal motivo para a depressão é o estresse. Eu particularmente não gosto de colocar toda a culpa no estresse, porque ele é mais nosso aliado do que vilão. Obviamente quando falamos de estresse, estamos nos referindo ao estresse crônico, ou seja, aquele que permanece por muito tempo gerando prejuízos em nossa vida prática. Falamos também de eventos estressores substanciais, ou seja, aqueles acontecimentos de nossa vida que geraram uma resposta emocional intensa e desconfortável, como a morte de um ente querido, dívidas, desemprego, conflitos conjugais, divórcio, etc. Em relação à depressão, alguns estudos sugerem que níveis elevados e permanentes de cortisol (o hormônio do estresse) no organismo está diretamente ligado ao enfraquecimento de neurotransmissores naquelas áreas do cérebro responsáveis pelas emoções e humor. Portanto, situações extremas de estresse vividos na infância através de traumas ou situações de intensa frustração como a perda de um emprego, divórcio, luto, vulnerabilidade socioeconômica, conflitos conjugais, pressão no trabalho, são preditores de depressão, sobretudo se o sofrimento for intenso e perdurável. Segundo Robert L. Leahy, um estudo mostrou que 60% das pessoas deprimidas relataram um evento estressor significativo nove meses antes do aparecimento dos primeiros sintomas.